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A Barreira Teleológica

Autor: Pedro Almeida

Na ciência, é usada muitas vezes a abstração no ato de extrapolar o pensamento para, por exemplo, obter hipóteses que podem ser testadas experimentalmente ou modelar sistemas. Consiste em isolar o objeto da idéia, para que resultados possam ser derivados de forma mais genérica. Teorias podem ser então criadas para modelar e explicar a natureza destes objetos de modo generalista.

No entanto, diversas vezes durante o processo de criação de uma idéia ou na análise e observação de um fenômeno natural, esbarramos numa característica aparentemente inerente à mente humana: a associação teleológica – querer dar sentido final às coisas, associar causas e efeitos, buscar propósito ou finalidade intrínseca.

Do ponto de vista da ciência, a teleologia pode vir a ser uma barreira na formulação de boas hipóteses e teorias. Isto porque, enquanto a mente humana evoluiu para procurar padrões de causa-efeito no cotidiano, existem certamente efeitos na natureza que não tem propósito ou causa. A procura humana pelas supostas causas acaba por enevoar certas possibilidades que poderiam ter sido levadas em conta numa teorização, ou podem criar hipóteses falaciosas do tipo cum hoc ergo propter hoc ou post hoc ergo propter hoc.

“A realidade nem sempre é como esperamos.”

Na natureza, por exemplo, o decaimento radioativo de um núcleo atômico é um fenômeno totalmente aleatório, e sem causa alguma. Claro, o núcleo perde energia, se torna mais estável, a entropia cresce. Mas isto são mecanismos, e dizem somente que o decaimento condiz com todo o resto da física. A questão central é: por que um núcleo em específico decai em determinado instante? Relações de causa e efeito são incompatíveis com diversos eventos a nível quântico, de real aleatoriedade. Outro efeito sem causa que pode ser citado na natureza é a própria existência do universo. Não existe nenhum objetivo aparente ou causa evidente para sua existência, até agora.

Só isto já é suficiente para desconstruir o senso comum de que a todo efeito deve ser atribuída uma causa. A teleologia não é válida para todo caso, portanto pode tornar-se uma barreira à abstração e teorização em diversas áreas do estudo científico. Ao estudar fenômenos e procurar explicações, temos que nos atentar às polarizações teleológicas inerentes do cérebro humano, e nos despir de qualquer préconceitualização que nos seja mais conveniente. Temos que lembrar que as leis não passam de interpretações da realidade. E a realidade nem sempre é como esperamos.

2 comentrios

  1. rayssa gon says:

    nem me fala, pedro.

    a teleologia foi o grande pepino na história até metade do seculo XX. muitos ainda acreditam que a historia tem um fim determinado, que alguns acontecimentos se deram com o objetivo de chegar num ponto pensado anteriormente.

    é muito dificil estudar historia e evitar a teleologia ao mesmo tempo.

    😀

  2. Pedro Almeida says:

    por isto q eu digo q é um desafio às limitações do intelecto humano

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