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Sobre a histeria nuclear

Autor: Pedro Almeida

Assim como todo tipo de preconceito arraigado contra o “desconhecido” que ronda aí afora, o fantasma nuclear volta e meia faz um retorno triunfal para ocupar as manchetes. Desta vez, foi a explosão de um prédio na usina nuclear em Fukushima, seguido da explosão de histeria que a mídia tanto gosta de detonar, que veio ocupar as agências de notícia.

Por que, depois de mais de 50 anos da invenção e do uso seguro da energia nuclear como fonte de eletricidade, o preconceito com tal energia não tão convencional vem a ocupar o imaginário do cidadão desinformado, dando-lhe uma roupagem de destruição? Certamente as imagens de Hiroshima e Nagasaki queimadas sob o holocausto nuclear assombram o mundo ainda hoje, mas associar a energia nuclear ao seu suposto poder destrutivo quando usada como arma é como se negar a usar aviões a jato porque existem B-52 e Tu-160. Não é como se houvesse uma Chernobyl a cada esquina. Analisemos os fatos.

Comecemos por Fukushima. O terremoto no Japão paralisou o sistema de refrigeração de um dos reatores da usina, causando uma explosão provavelmente por superaquecimento da água pressurizada do segundo ciclo. Fato nº 1: não foi a usina que explodiu, foi um dos prédios de contenção do reator. Fato nº 2: não foi o combustível nuclear que causou a explosão, e sim a água pressurizada e superaquecida do primeiro ou segundo ciclo (veja a imagem dos três ciclos de um reator) que parou de ser resfriada. Fato nº 3: em geral, existem pelo menos 2 paredes de até 1 metro de espessura que suportam até impactos de avião separando o combustível nuclear do mundo externo. A explosão do prédio não significa dano catastrófico no reator.

Os três ciclos de um reator podem ser vistos na imagem abaixo, com as respectivas pressões e temperaturas máximas da água em cada circuito:

Veja este infográfico (só são mostrados 2 dos 3 ciclos do reator nesta imagem) sobre Fukushima.

Fukushima logo levantou a mídia mal feita da era virtual, jogando os olhos dos “repórteres” e “jornalistas” diretamente para todas as outras usinas do Japão, na esperança de encontrar mais alguma à beira da explosão. Logo trataram de noticiar sobre Tokai e Onagawa, que apresentaram também, naturalmente, problemas devidos ao terremoto.

A histeria nuclear é típica, mas não poderia ser mais injustificada. Pouca gente sabe que a energia elétrica nuclear é a mais segura de ser gerada: são 8 mortes para cada terawatt-hora (TWh) gerado, e esta estatística conta com os dados de experiências traumáticas como Chernobyl, Ucrânia (1986), e Three Mile Island, nos EUA (1979). Comparando com a segunda fonte mais segura, o gás natural de usinas termoelétricas, que contabiliza 85 mortes por TWh, ainda assim são 10 vezes mais mortes distanciando o primeiro do segundo colocado. O carvão e o óleo combustível contabilizam 342 e 418 mortes por TWh, respectivamente.

http://www.heartland.org/policybot/results/16809/Analysis_Nuclear_Power_Is_Safest_Energy_Source_Studies_Show.html

http://www.ehow.com/about_6762161_safest-energy-source_.html

Ademais, os problemas gerados por acidentes no passado foi por radioatividade, vazamento de material contaminado. Eu como meu chapéu se um dia, num reator nuclear, acontecer uma explosão atômica – simplesmente não acontece, meu amigo. É necessário a 3% de combustível enriquecido para um reator, enquanto para uma explosão nuclear é necessário 90% ou mais de enriquecimento do mesmo material (U-235 – urânio 235) mais um deflagrador (explosivo).

E se você acha que um terremoto é, ainda assim, uma ameaça à segurança da energia nuclear, imagine só se no Brasil, com a matriz em sua maioria baseada em energia hidráulica, acontecessem terremotos? Certamente o estrago do rompimento de uma barragem seria devastadoramente maior do que a explosão de um reator.

Não bastasse a segurança, o apelo ambiental da energia nuclear é imenso. Sim! A energia nuclear é tão limpa, que, apesar de não ser renovável como a hidroelétrica, a solar e a eólica, é costumeiramente contabilizada como energia alternativa junto às últimas.

http://listverse.com/2009/05/01/top-10-renewable-energy-sources/

Por quê? Simples.

Primeiro: a única “poluição” gerada por uma usina nuclear é vapor, inerte, do terceiro ciclo de refrigeração da saída da turbina, que é ejetado elegantemente pelas clássicas chaminés em forma de hiperbolóide de uma folha. Sim, aquilo é vapor. De água, claro.

 

Vapor de água, e não nuvens tóxicas radioativas do apocalipse

Segundo: a densidade de energia do urânio é imensa. Também pudera: a massa que “some” na fissão nuclear é transformada em energia líquida seguindo a famosa fórmula de equivalência massa-energia de Einstein: E = mc². Para cada kg de urânio, é possível produzir 80 TJ de energia (terajoules). Seriam necessárias 3000 toneladas de carvão para produzir a mesma quantidade de energia de 1 kg de U-235.

Terceiro: por não produzir poluição diretamente no reator e por ter alta densidade de energia, pouquíssimo CO2 é lançado na atmosfera ao todo. Nem a energia hidroelétrica é capaz deste feito, já que a inundação de grandes áreas implica na decomposição da matéria vegetal e emissão de gases estufa para a atmosfera. O gráfico abaixo mostra o que aconteceria se em 60 anos nenhuma nova usina nuclear fosse construída para substituir as que progressivamente seriam desativadas ao fim de seu ciclo de vida: um aumento de mais de 160 mil toneladas de CO2 emitidos por fontes convencionais (considerando termoelétricas, afinal, são a maioria no mundo hoje). Levando em conta que 14% a 17% da energia do mundo é, hoje, de origem nuclear, podemos ter noção do estrago.

Quarto: o verdadeiro “terror” da energia nuclear, o lixo radioativo, na verdade não é um terror: o dejeto dos reatores, o urânio exaurido – “usado” -, pode ser reprocessado e recuperado em até 95% de sua massa, voltando ao reator na forma de novo combustível nuclear. Isto reduz em até 90% o volume do lixo.

http://listverse.com/2009/05/01/top-10-renewable-energy-sources/

Os apelos ambientais e a comprovada segurança, sozinhas, já justificam o uso da energia nuclear e jogam por terra os preconceitos pra cima desta tecnologia. Mas ainda há o apelo econômico. Principalmente para o Brasil.

Apesar de caras de construir, usinas nucleares (devido à alta densidade de energia do combustível) operam com baixo “consumo” de urânio. Duram 60 anos em média, e não estão sujeitas às sazonalidades das chuvas, como as hidrelétricas, o que no passado contribuiram aqui na nossa terrinha para o famoso “apagão” – o racionamento de energia de 2001.

Atualmente a energia no Brasil não é tão barata quanto queremos e quanto pensamos. O kWh residencial chega a custar 44 centavos de real em certos lugares, enquanto na França, com matriz fortemente nuclear, custa 18 centavos de real. Nos EUA, este valor é similar.

Além disto, o Brasil é a sexta maior reserva de urânio do mundo atualmente: 310 mil toneladas de óxido de urânio em apenas 25% de prospecção do território nacional. Combinado à tecnologia brasileira das ultracentrífugas de enriquecimento da Marinha do Brasil, é possível produzir combustível nuclear para fins pacíficos com tecnologia e material 100% nacional, possivelmente reduzindo os custos da energia elétrica.

Com este texto, eu espero ter esclarecido as características básicas da energia nuclear, e também as principais vantagens de seu uso e questões de segurança. Este preconceito irracional baseado no típico medo do desconhecido é algo que deve ser cética e criticamente analisado, e espero ter cumprido o propósito de reduzir a histeria nuclear ao que ela realmente é: histeria, pura e simples.

39 comentrios

  1. [...] assustado? Então leia isto para mais informações, o o breve resumo que farei [...]

  2. Fabio da Silva Barbosa disse:

    Os acidentes mais graves em usinas nucleares das últimas três décadas – - PARIS, 12 Mar 2011 (AFP) -Seguem os principais acidentes ocorridos em instalações nucleares desde 1979:

    - 28 de março de 1979 – ESTADOS UNIDOS – Em Three Mile Island (Pensilvânia), uma série de erros humanos e de falhas materiais impediram o resfriamento normal de um reator, cujo centro começou a derreter. Os dejetos radioativos provocaram uma enorme contaminação no interior do recinto de confinamento (Containment Building), mas não afetou a população nem o meio ambiente. Cerca de 140 mil pessoas foram temporariamente deslocadas. O acidente foi classificado no nível 5 da escala internacional de eventos nucleares (INES), de um total de sete níveis.

    - Agosto de 1979 – ESTADOS UNIDOS – Um vazamento de urânio em uma instalação nuclear secreta perto de Erwin (Tennessee) contaminou cerca de mil pessoas.

    - Janeiro-Março de 1981 – JAPÃO – Quatro vazamentos radioativos ocorrem na usina nuclear de Tsuruga (centro). 278 pessoas foram contaminadas por radiação.

    - 26 de abril de 1986 – URSS – O reator número 4 da usina soviética de Chernobyl (Ucrânia) explodiu durante um teste de segurança, causando a maior catástrofe nuclear civil da história e fazendo mais de 25 mil mortos (estimativas oficiais). Durante dez dias, o combustível nuclear queimou, jogando na atmosfera radionuclídeos de uma intensidade equivalente a mais de 200 bombas atômicas iguais a que caiu em Hiroshima e contaminando três quartos da Europa.

    Moscou tentou encobrir o desastre e, depois, minimizar o acidente, classificado em nível 7. As vítimas foram em maioria russos, ucranianos e bielorrussos que participaram da limpeza e da construção de um sarcófago ao redor do reator acidentado.

    - Abril de 1993 – RÚSSIA – Uma explosão na usina de reprocessamento de combustível irradiado em Tomsk-7, cidade secreta da Sibéria Ocidental, provocou a formação de uma nuvem e a projeção de matérias radioativas. O número de vítimas é desconhecido.

    - 11 de março de 1997 – JAPÃO – A usina experimental de reprocessamento de Tokaimura (nordeste de Tóquio) foi parcialmente paralisada depois de um incêndio e de uma explosão que contaminou 37 pessoas.

    - 30 de setembro de 1999 – JAPÃO – Um novo acidente no centro de Tokaimura, devido a erro humano, levou a morte dois técnicos. Mais de 600 pessoas, funcionários e habitantes do entorno, foram expostas à radiação e cerca de 320 mil pessoas foram evacuadas da área. Esse acidente, classificado em nível 4, foi o mais grave depois de Chernobyl.

    Os dois técnicos haviam provocado involuntariamente um acidente de criticidade (reação nuclear descontrolada) ao utilizar uma quantidade de urânio muito superior à prevista durante o processo de fabricação.

    - 9 de agosto de 2004 – JAPÃO – Na usina nuclear de Mihama (centro), vapor não radioativo vazou por um encanamento que se rompeu em seguida, ao que parece, por uma grande corrosão, provocando a morte de cinco funcionários por queimaduras.

    - 23 de julho de 2008 – FRANÇA – Durante uma operação de manutenção realizada em um dos reatores da usina nuclear de Tricastin (sul), substâncias radioativas vazaram, contaminando muito levemente uma centena de empregados.

    - 12 de março de 2011 – JAPÃO – No dia seguinte a um terremoto muito forte seguido de tsunami, uma explosão ocorreu no reator da usina nuclear de Fukushima Nº1 (250 km ao norte de Tóquio).

    A energia nuclear produz resíduos
    Ninguém está disposto a aceitar esta herança
    (http://www.facts-on-nuclear-energy.info/4_waste.php?size=&l=pt&f=)
    Cada central nuclear converte, através de fissão nuclear, barras de urânio em resíduos nucleares altamente radioactivos. Estes resíduos colocam em risco a vida humana, devido à sua radioactividade. Por esse motivo, têm de ser protegidos e armazenados fora do alcance de pessoas, animais e plantas durante centenas de milhares de anos. Há cerca de 50 anos que existem centrais nucleares em actividade, no entanto, até hoje não se sabe como se deve armazenar os resíduos nucleares. Não existe em qualquer parte do mundo, um único método para a eliminação segura de resíduos altamente radioactivos produzidos pelas centrais nucleares. Este breve episódio de exploração de energia nuclear deixa-nos – sob a forma de resíduos nucleares – um legado de dimensões histórico-universais. Caso já tivessem existido centrais nucleares no período pré-histórico, ainda hoje estaríamos a vigiar os resíduos nucleares que teriam sido produzidos nessa altura.

  3. Pedro Almeida disse:

    parece q alguem decidiu nao ler o texto e vomitar um bando de referências sobre fatos os quais eu já sabia.

    só cuspir informação não ajuda nada em tratar o problema, análise crítica, já ouviu falar?

  4. Elton Carvalho disse:

    Pelo que vi olhando rapidamente para o texto, faltou explicar que o reator de Fukushima é um BWR, ou seja, um reator de água em ebulição, que não apresenta o primeiro ciclo de água pressurizada ilustrado na primeira figura do artigo. A água que evapora e impulsiona as turbinas é a mesma água que refrigera diretamente as barras de combustível nuclear.

    São arquiteturas diferentes, com riscos e técnicas de contenção diferentes, cuidado.

  5. Luana disse:

    Cara… Ótimo o seu texto… Passei o final de semana explicando para as pessoas que reator nuclear não é bomba atômica… E que energia nuclear não é ruim

  6. Felipe Pait disse:

    O fato de que alguma anta disse que houve uma explosão nuclear, mas não houve, não é um argumento para mostrar que usinas nucleares são seguras.

  7. Lendo alguns comentários, me pergunto se teve gente que passou batida no seguinte trecho do texto:

    “Pouca gente sabe que a energia elétrica nuclear é a mais segura de ser gerada: são 8 mortes para cada terawatt-hora (TWh) gerado, e esta estatística conta com os dados de experiências traumáticas como Chernobyl, Ucrânia (1986), e Three Mile Island, nos EUA (1979). Comparando com a segunda fonte mais segura, o gás natural de usinas termoelétricas, que contabiliza 85 mortes por TWh, ainda assim são 10 vezes mais mortes distanciando o primeiro do segundo colocado. O carvão e o óleo combustível contabilizam 342 e 418 mortes por TWh, respectivamente.”

    Quer falar sobre segurança ou não da geração de energia nuclear? Faça como o Pedro, autor do texto, e apresente dados.

    Ótimo texto, Pedro!

  8. spectroman disse:

    Mas nao parece de todo infundado o medo de que algo aconteca na usina nuclear, uma vez que ateh revistas cientificas, onde existe um jornalismo cientifico mais responsavel… estao tambem preocupados.

    http://www.newscientist.com/blogs/shortsharpscience/2011/03/japan-megaquake-update.html

  9. Jhon Benga disse:

    Mas,…

    …por que os níveis de radiação estão várias vezes maior do que o normal ao redor da usina em Fukushima?

    …por que o governo japonês quer isolar uma área de 20km ao redor da usina?

    acho que faltou no texto, muito bem escrito por sinal, falar dos pontos negativos. Me parece parcial e tendencioso…

  10. Erich disse:

    Jhon,

    Os vapores liberados na atmosfera para aliviar a pressão no núcleo contém alguma quantidade de isótopos radioativos de nitrogênio, o que vai acusar radiação acima do normal se você colocar um medidor lá. Porém, esses isótopos são altamente instáveis e decaem muito rapidamente, não apresentando riscos. Não foi liberado nenhum elemento radioativo de alta periculosidade em quantidade preocupante, traços de iodo radioativo e césio foram detectados, mas em quantidades ínfimas e esperadas.

    A isolação da área e a distribuição de comprimidos de iodo para a população são procedimentos padrão. Há uma emergência, sim, e deve ser tratada como uma. Mas não há motivos para alarmismo.

    Fábio,
    Seu trabalho de pesquisa é impressionante, parabéns. Faça uma lista agora dos acidentes causados pelo uso de outras fontes de energia, como petróleo, desde 1979, para agente comparar, tá? Não sei se vai caber, mas…

  11. Pedro Almeida disse:

    Elton

    grato pela informação. pensei q Fukushima fosse PWR (pressurized water reactor). mas no BWR a refrigeração nao entra com contato com as barras, é composta no segundo ciclo. a agua do primeiro (a q ferve) impulsiona a turbina, mas refrigera as barras por efeito secundario, dentro do ciclo térmico. a refrigeração é necessariamente feita pelo condensador.

    grato

  12. Pedro Almeida disse:

    felipe prait

    e o q vc diz dos demais argumentos e referencias do texto?

  13. Pedro Almeida disse:

    john

    a explicacao do erich procede.

  14. Pedro Almeida disse:

    Fiquei feliz de uma explicação tão clara, e ainda por cima feita por um xará meu! Parabéns e um abraço do seu homônimo!

  15. Thales Agricola disse:

    “Quarto: o verdadeiro ‘terror’ da energia nuclear, o lixo radioativo, na verdade não é um terror: o dejeto dos reatores, o urânio exaurido – “usado” -, pode ser reprocessado e recuperado em até 95% de sua massa, voltando ao reator na forma de novo combustível nuclear. Isto reduz em até 90% o volume do lixo.”

    Tá, mas o que fazemos com o lixo radioativo, que, mesmo com volume reduzido, existe? Achei que ficou faltando falar disso. Você não me convenceu de que não é um “terror”. Note-se que estou perguntando porque realmente não sei; não estou querendo defender nenhum ponto com isso.

    Parabéns pelo texto! Está ótimo!

  16. Pedro Almeida disse:

    thales

    o lixo pode ser manejado de forma segura. containers podem ser construidos para enterrar seguramente o dejeto. as pessoas costumam achar q esse é o X da questao, q esse é o grande problema, e q isso q invibializa. associam a meia vida longa dos restos a problemas. esquecem q material radioativo já existe armazenado naturalmente na crosta, e nao sabem q no passado já “funcionaram” reatores nucleares naturais de fissão na natureza, sem interferencia humana, por centenas de milhares de anos: http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_nuclear_fission_reactor

    isso significa q existe naturalmente dejetos nucleares enterrados já há mt tempo.

    é possivel manejar o lixo enterrando-o e isto é seguro, independente de ele ser ativo por milhares de anos.

    alem disto, existem outras alternativas tecnologicas para manejar e neutralizar o lixo: vitrificação, transmutação, etc.

    o lixo q realmente é perigoso geralmente é composto por isotopos pesados e de longa meia vida, como o plutonio e o césio. estes podem ser prontamente reciclados e usados em outras aplicações energéticas ou médicas. os demais materiais q entram em contato com o material “forte” (como os moderadores de grafite) tambem sao eventualmente enterrados, mas exigem menos proteção – alguns barris de metal enterrados.

  17. Thales Agricola disse:

    0K, muito obrigado!

  18. O problema que vejo com o uso da energia nuclear está em produzir resíduos bastante perigosos com os quais não sabemos lidar (de forma alguma!) Nenhuma das formas de armazenamento é perfeitamente segura. Em um acidente com uma hidroelétrica muito dano pode ocorrer, mas não é nada parecido com o derramamento de nuvens radioativas no ar, na água, etc.

    Sob alguns aspectos é verdade que a energia nuclear é mais limpa – no sentido da menor produção de CO2.

    Continua, no entanto, a crítica: é irresponsabiliade produzir resíduo MUITO perigoso sem saber como lidar com ele, esperando que gerações futuras o façam.

    A frase “esquecem q material radioativo já existe armazenado naturalmente na crosta” é no mínimo simplória. Evidentemente nosso amigo Pedro trabalha em um reator, ou algo parecido e sabe que estamos produzindo elementos que NÃO existem espontaneamente na natureza (já que o número atômico alto provoca rápida desintegração).

    Não digo que não se deve usar reatores nucleares. Não sei a resposta para esta questão. Não sei se teríamos outras fontes viáveis. MAs afirmo que os problemas envolvidos NÃO estão resolvidos!

  19. Pedro Almeida disse:

    se engana guilherme.

    nao trabalho em reator, sou engenheiro eletricista e mestrando na mesma área.

    segundo, sim, para manter uma fissao nuclear naturalmente, é necessário condicao similar de isotopos, assim como aconteceu no passado nestes reatores naturais.

    os produtos da fissão sao os mesmos.

    os problemas nao estao todos resolvidos e procurar uma solucao perfeita é uma distração. temos q ser práticos e procurar soluções viáveis e aceitáveis.

    o texto mostra q o risco da energia atomica justifica seu uso. a histeria nuclear é coisa de quem nao leu a estatística.

    sim temos q avançar, nao disse q estamos no apice da tecnologia. a ciencia e um processo gradativo. só disse q é um absurdo toda a histeria q a midia faz.

  20. Rafael Masoni disse:

    Ótimo texto. Bastante esclarecedor.

    Passarei adiante!

  21. Henrique Crespo disse:

    Muito bom o texto.
    Gostei muito do jeito como você apresentou os fatos e as referências com links. Muito embora, não há como negar, o texto é um pouco tendencioso e pro-nuclear. É praticamente impossível narrar fatos e manter a imparcialidade.

    Me considero pro-nuclear, mas gostaria de saber onde encontro mais informações acerca daquele índice de mortes por TWh de cada energia. Eu vi os links que você postou, mas todos eles são citações de blogs, não consegui encontrar o original. Gostaria de saber quais são os critérios da pesquisa porque achei os números bem curiosos.

    E acho também que comparar o preço do kWh ao redor do mundo não é a melhor forma de comparação. Eu não li tudo, não sei se aquele é o preço de ‘extração’, puro, ou se é o preço que chega na fatura da conta das pessoas. Caso seja a segunda opção, existe uma série de diferentes tributações que torna ruim a comparação mundial. Acho que até mesmo para o preço da ‘extração’, não seria uma boa comparação.

    Muito bom texto, faço questão de repetir.

    Abraços

  22. Pedro Almeida disse:

    Henrique

    grato. se por ser “pro nuclear” significa q eu defendo o uso da energia nuclear baseado em evidencias q apontam q ela é suficientemente segura, entao sim, o texto é pro-nuclear, e nao precisa ser imparcial, nao é um texto-reportagem, e sim argumentativo. estou defendendo este ponto com argumentos e evidencias.

    sobre os valores. estes sao os valores do kwh fornecido pelas concessionarias, i.e., o q chega à sua casa, e nao o de geração unicamente. ele inclui os custos de transmissão e distribuição, mas está isento dos impostos da conta (é o valor base para se calcular o custo da energia gasta, o ICMS por exemplo é calculado sobre o valor final, entao este valor q forneci ainda n inclui este imposto).

    qnt à referencia do estudo q apontou as mortes, dois blogs aparentemente indepentendes referenciam o mesmo trabalho de pesquisa. realmente seria interessante encontrar a fonte do estudo, e aconselho buscar no Google Acadêmico por palavras chave em inglês q é bem provavel de encontrar.

    abraço

  23. Alexandre GM disse:

    Oi, Pedro.
    Gostei do texto, mas fui ver a fonte da pesquisa que diz que a energia nuclear é a mais segura fonte de energia, e vi que era o site do heartland institute.
    Esse instituto também nega, por exemplo, o aquecimento global – no qual também não sou nenhum especialista, mas acho que os especialistas em geral concordam que existe e que é causado pelo homem.
    Será uma fonte confiável?
    Tem mais fontes para essa informação da segurança?

    E a situação em Fukushima não parece ter piorado?

    Essas perguntas são apenas dúvidas mesmo, como leigo no assunto.

  24. [...] “Sobre a Histeria Nuclear“, no blog Radiação de Fundo de Pedro Almeida (mestrando em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). [...]

  25. Anael Gomes disse:

    Oi Pedro Almeida,

    Não tenho grande experiência e pesquisa na área, sou apenas um iniciante no estudo da ciências ambientais, mas tudo que vi até hoje sobre esta forma de geração de energia elétrica, sempre bate no maior problema: destinação final do resíduo.

    O ponto principal geralmente não é a segurança ou outros pontos abordados no seu texto, mas sim a destinação final deste resíduo, que, até onde sei não possuímos hoje na terra um local fixo para isto. Todos os depósitos do “lixo nuclear” são ditos provisórios, nenhum país quer ser responsável pela manuteção em segurança pelos próximos milênios (se é que estaremos aqui por tanto tempo).

    Disseste que o resíduo pode ser reutilizado, gostaria de mais informações sobre isto, quais são as utilizações, como isto pode ser feito, onde isto é feito hoje, pois algumas colocações por vezes não aplicam-se na prática. Por exemplo se não pode ser reutilizado na própria usina, mas pode ser utilizado em equipamentos médicos, qual a porcentagem do material gerado em uma usina que tem mercado para absorver os resíduos.

    Outro ponto, todo o material que entra em contato com o Urânio também é contaminado, e precisa ser acondicionado de maneira especial, o que gera volume muito maior do que o “combustível” da usina.

    Concordo que todas as formas de obtenção de enegia elétrica tem seus pontos favoráveis e desfavoráveis, mas por enquanto eu não votaria a favor do aumento de geração por meios nucleares. Acredito que tenhamos outras maneiras de obtenção que devem ser melhoradas e desenvolvidas para substituir as terríveis termoelétricas a carvão, gás, óleo…

  26. Thalles Rodrigues disse:

    Muito bom o texto, estou me graduando em Engenharia Eletrica e concordo com o que foi dito. O q nao gosto nas usinas nucleares brasileiras de Angra 1 e 2 (onde fiz estagio), é sua localização montanhosa. Nao creio q podemos ter um acidente nuclear, mas em caso de necessidade de evacuação, a Rio-Santos nao ajuda muito! Talvez vcs nao saibam, mas a 4ª geração de reatores nucleres reduz a meia-vida do uranio para uns 500 anos. Um tremendo avanço!

  27. Pedro Almeida disse:

    Anael

    investir em outras formas de energia nao necessariamente exclui o investimento em nuclear – nao existe esta falsa dicotomia. a tecnologia nuclear é mt mais madura q fotovoltaica e eólica, as quais tive oportunidade de estudar tb profundamente pois há grande relacao com minha area de pesquisa – eletronica de potencia engloba processamento de energia, aproveitamento energético, conversão de energia e eficiencia energética, entre outros.

    sobre os residuos radioativos de partes q entram em contato com o combustivel, ja comentei para outro colega acima q sao residuos mais inócuos e menos danosos e perigosos. produzem o maior volume.

    o combustivel pode ser armazenado de forma segura e é de relativo baixo volume, devido à alta densidade de energia do ciclo nuclear. fins apropriados existem, atualmente as piscinas de contenção sao seguras o suficiente para que vc acesse a área de armazenamento sem nenhum equipamento de protecao especifico.

    sobre o ciclo de reciclagem, boa parte é retornada ao reator, e outros subprodutos podem ser usados sim para fins medicos, por exemplo

    creio q seja possivel de achar mais informacoes nas referencias q eu dei ao longo do texto, ou procurar no google acadêmico.

  28. Ian disse:

    Caro Pedro, obrigado por mostrar a outa face da moeda.

    Porém querer comparar a eficiência da energia nuclear com as energias eólicas e solares é algo um tanto quanto imprudente, veja, os estudos sobre a fissão nuclear se iniciaram por volta da década de 30, enquanto as energias eólicas e solares não possuem se quer 50 anos de pesquisa, ainda estão em um processo contínuo de desenvolvimento (http://eco4planet.uol.com.br/blog/2010/10/gizmodo-o-futuro-da-energia-solar-cortesia-do-criador-de-uma-pistola-dagua/).

    A questão de ser ou não um resíduo que gere periculosidade, é fato que os resíduos radioativos são de alta periculosidade, um acidente nuclear inutiliza uma área por diversos milênios! Não são décadas, são mais de 240.000 anos! Logo afirmar que energia nuclear é energia limpa, isso não é verdade, energia limpa é aquela que não gera resíduos.
    E mesmo que os resíduos possam ser reutilizados, existem diversos processos que o Brasil não realiza, tendo que fazer um comércio deste produto, acoplando indiretamente gastos energéticos, econômicos e emissão de gases.

    Um acidente qualquer que envolva energia nuclear gera comoção mundial porque não sabemos até que ponto outras nações podem sofrer com isso, veja a França que anunciou partículas suspensas no ar radioativas. Gera um perigo comum, não é como um acidente em uma hidrelétrica que irá inundar uma região determinada.

    Não venho aqui afirmar que a energia x é boa e a y é ruim. Apenas afirmo que os processos de captação de energia predominantes na atualidade são insatisfatórios, incluindo a energia nuclear; assim como o petróleo; assim como o biodiesel que gera aumento dos produtos alimentícios; assim como as hidrelétricas que geram metano devido à decomposição anaeróbia; como também a solar que não se recicla o material da placa captadora de energia, ocupa grande área inutilizando o solo, a energia solar deve ser uma forma de concessão estatal em que cada casa se utiliza dela, gerando uma pequena fonte energética em cada residência, o que reduziria mais de 20%.

    Vale ressaltar que a energia eólica já está sendo explorada, existem estudos que modificaram a cor das hélices e ocorreu menos acidentes com pássaros, é possível plantar nos locais em que ficam as hélices, otimizando o espaço, A China´está sendo a pioneira no investimento dessa matriz energética. Já se informou sobre a energia geotérmica?
    E esta conhece? http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/inovacao-brasileira-eletricidade-pelo-ar

    Fora as energias de biomassa, existe uma que dizem ser a antimatéria, do Keppe Motor, procure e encontrará….

    Energia nuclear não pode ser algo ético enquanto prover risco à humanidade, por isso outras fontes energéticas devem ser desenvolvidas.

    Ser simplismente acomodado a correr riscos é negar o progresso da humanidade, devemos sempre buscar outras fontes menos impactantes ambiental e humanamente.

    Saudações.

  29. Ian disse:

    ps: desculpe os erros de português, escrevi com pressa, o biodiesel gera o aumento do custo dos produtos alimentícios, logo, não pode haver interesse legítimo nessa matriz energética.

  30. Nihil disse:

    “A questão de ser ou não um resíduo que gere periculosidade, é fato que os resíduos radioativos são de alta periculosidade, um acidente nuclear inutiliza uma área por diversos milênios! Não são décadas, são mais de 240.000 anos!”

    Até onde sei a cidade de Chernobyl não se transformou num deserto radioativo.

    “Um acidente qualquer que envolva energia nuclear gera comoção mundial porque não sabemos até que ponto outras nações podem sofrer com isso, veja a França que anunciou partículas suspensas no ar radioativas. Gera um perigo comum, não é como um acidente em uma hidrelétrica que irá inundar uma região determinada.”

    Uma hidrelétrica inunda milhares de quilômetros quadrados de matas e mata incontáveis animais e provoca desequilíbrio na distribuição geográfica de espécies aquáticas. Mais tarde os organismos mortos na inundação se decomporão e emitirão toneladas de gás metano para a atmosfera. O aumento da umidade local mudará o clima local e dependendo do solo inundado pode até provocar terremotos. Que tal?

    “Vale ressaltar que a energia eólica já está sendo explorada, existem estudos que modificaram a cor das hélices e ocorreu menos acidentes com pássaros, é possível plantar nos locais em que ficam as hélices, otimizando o espaço, A China´está sendo a pioneira no investimento dessa matriz energética. Já se informou sobre a energia geotérmica?”

    Enatáveis estas forem inviáveis a energia nuclear é a melhor opção.

    “Fora as energias de biomassa, existe uma que dizem ser a antimatéria, do Keppe Motor, procure e encontrará….”

    Antimatéria? Dificílima de obter e altamente instável. Para quem contraria a energia nuclear citar a antimatéria é no mínimo hipocrisia.

    “Energia nuclear não pode ser algo ético enquanto prover risco à humanidade, por isso outras fontes energéticas devem ser desenvolvidas.”

    E o que é ético? Hidrelétrica? Termelétrica que provocas chuvas ácidas? As inviáveis solar e eólica?

    “Ser simplismente acomodado a correr riscos é negar o progresso da humanidade, devemos sempre buscar outras fontes menos impactantes ambiental e humanamente.”

    E quem disse que devemos ficar na energia nuclear? O que queremos dizer é que a energia nuclear por enquanto é a mais eficiente, segura e limpa fonte de energia que existe. Portanto ficar protestando contra enquanto a termelétrica provoca epidemia de asma na China é, no mínimo, irracional.

    Abraços!

  31. [...] Para saber melhor o que ocorre por lá recomendo o blog Brontossauros em meu Jardim e Radiação de Fundo. [...]

  32. Pedro Almeida disse:

    Nihil
    nao poderia fazer um adendo melhor. grato pela resposta.

  33. [...] Para saber melhor o que ocorre por lá recomendo o blog Brontossauros em meu Jardim e Radiação de Fundo. [...]

  34. Fábio Bittencourt disse:

    Prezado Pedro, parabéns pelo texto e pela paciência em responder os comentários do seu blog. Muito bom mesmo! Eis um artigo meu que pode ajudar no debate: http://www.alerta.inf.br/files.php?force&file=Energia_nuclear_versao_completa_211981029.pdf

  35. Pedro Almeida disse:

    otimo artigo fabio! mt bom

    obrigado

  36. Francelino Cabaleiro M. Filho disse:

    Olá senhores, o importante de tudo é poder dizer que quanto mais desenformado são as pessoas mais apavoradas elas são!… O Fato de viver neste planeta, que é sumariamente perigoso, devido a diversas situações, inclusive que um homem mata o outro por divergir de pontos de vista… Seria melhor desenvolver tecnologias sem distinção de grau de risco, pois não sabemos quando será necessário utilizar todo nosso conhecimento tecnológico para continuarmos vivos…

    Cabaleiro

  37. Guilherme R. disse:

    Ainda sobre o que comentou o Ian, e esclarecendo para o Nihil, eu acho que o autor do comentário em nenhum momento se mostrou contra APENAS as usinas nucleares… ele mostrou como as discussões em torno desta questão, são falhas e hipócritas de ambos os lados!
    Falar que Chernobyl não se tornou um deserto radioativo é muito fácil para alguém que não perdeu parentes por conta do acidente, ou mesmo viu os seus filhos morrerem e sofrerem por causa da mesma.
    E não me venha dizer que estou sendo sentimental, apenas estou ponderando as coisas como devem ser ponderadas.

    Qualquer forma de produzir energia elétrica ainda hoje é falha, e só se mostra satisfatória aos olhos de quem ganha dinheiro com isso. Ao meu ver todas necessitam de muitas pesquisas antes de serem implementadas “a todo vapor”, e não é PORQUE OS NOSSOS ANCESTRAIS FORAM NEGLIGENTES QUANTO AS HIDRELÉTRICAS e TERMOELÉTRICAS QUE DEVEMOS SER TAMBÉM!!!
    A ENERGIA EÓLICA ainda está no início do seu desenvolvimento e já provou que casa alguns danos também, como a influência nas rotas de voo dos pássaros (acho hipocrisia alguém falar isso e negar-se a acreditar que o desastre em Chernobyl não torna a nuclear mais perigosa), e também as explosões que ocorrem por sobrecargas das hélices, como ocorreu dias atrás na Suécia.

    Creio que o autor do tópico esteja querendo defender seus argumentos, e tem bastante conhecimento técnico. Mas, o mundo não precisa só de cientistas que resolvam as coisas e não falem para leigos como eu, como isso aconteceu, quais os seus riscos e como contorná-los e evitá-los, como sempre foi feito, como está sendo feito e será feito.

    Espero que em um breve futuro nós possamos obter métodos de produção de energia solar (como a invenção de um método seguro de produção em escala da JTEC), eólica e nuclear (com destinação RESPONSÁVEL E HUMANA, NÃO APENAS MATERIALISTA) de forma mais sustentável… sem pensar no nosso bolso e apenas em questões técnicas… mas levando em questão também aspectos sociológicos.

    Belo texto, me ajudou muito a me informar. E parabéns à todos que comentaram e contribuiram com parcela de seus conhecimentos.

  38. dovair disse:

    Vale ressaltar Pedro, que a equivalência energética é de 1KG de Urânio = 10t de Petróleo = 20t de Carvão (www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00000046.pdf) .Assim usinas nucleares ainda é de extrema necessidade para o controle de emissões de gás carbônico na atmosfera. Energia eólica, geotérmica, solar são importantes, mas mas ainda como fontes de apoio a energia que o Planeta necessita, uma vez que a energia residencial,em comparação com a industrial, é menor.

  39. Athos disse:

    A respeito do primeiro comentário:
    “fazendo mais de 25 mil mortos (estimativas oficiais)”
    O numero oficial de mortos é de 61!
    A estimativa oficial é de aumento de 0.01% no número de canceres, ou seja, 4.000 canceres.

    E por fim, os resíduos dos reatores de segunda geração devem ser utilizados como combustível nos de 4ª geração.

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